Líderes da Reforma Trabalhista não conseguiram se reeleger

Uma prova aos políticos de que o trabalhador está de olho nas suas atuações veio nas eleições deste ano para os que comandaram a aprovação da Reforma Trabalhista em 2017. Deputados e senadores que estiveram na linha de frente não conseguiram se reeleger.

Com exceção do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que vão ter mais quatro anos de mandato, ficaram de fora Ronaldo Nogueira (PTB-RS), Rogério Marinho (PSDB-RN), André Moura (PSC-SE) e Romero Jucá (MDB-RR). Todos eles atuaram em seus cargos para aprovar a reforma a toque de caixa.

Nogueira era ministro do Trabalho na época e negociou diversas vezes com centrais sindicais as mudanças na legislação trabalhista, descartando a ampla maioria dos pleitos feitos pelos representantes dos trabalhadores.

Já o deputado Rogério Marinho foi o relator do projeto na Câmara Federal. Foi dele o texto que alterou mais de cem artigos nas Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), aprovada de forma rápida pelos deputados e sancionada com a mesma velocidade pelo presidente da República, Michel Temer. Entre as mudanças está a que implementa o trabalho intermitente, em que o trabalhador só recebe pelas horas que trabalhar.

Quem também perde a eleição foi Ricardo Ferraço (PSDB-ES), que foi o relator da proposta no Senado Federal. Ele ficou na quarta posição para a vaga e conheceu de perto a derrota nas urnas.

Todos eles tentaram se manter ou voltar ao poder através das urnas. Alguns deles receberam doações volumosas de recursos financeiros para suas campanhas de empresários de grande porte, como Riachuello e Localiza. Os valores das doações nas campanhas variam entre R$ 50 mil e R$ 200 mil.