Campanha pela não reeleição dos traidores teve efeito positivo, avaliam sindicalistas

O resultado das eleições para presidente da República e para a Câmara dos Deputados foi um dos assuntos debatidos na reunião ordinária de outubro do Fórum de Entidades Sindicais de Trabalhadores de Brusque e região. O encontro foi realizado na tarde desta segunda-feira, 8, na sede do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Brusque e região (Sintricomb), tendo como anfitrião o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Material Plástico e Químico (Sintiplasqui). 

No mês passado, os sindicatos filiados ao órgão elaboraram material de divulgação, alertando os trabalhadores sobre os candidatos a deputado federal na atual legislatura que votaram em medidas contrárias à classe laboral. Como a Reforma, a Terceirização e anunciaram ser favoráveis à Reforma da Previdência. 

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos (Sintimmmeb), José Isaias Vechi, disse que ainda é cedo para saber se a ação deu resultado ou não, mas muitos dos candidatos inseridos nesse grupo e que concorreram ao pleito não conseguiram a reeleição. 

Mesma opinião de José Gilson Cardoso, do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário (Sintrivest). Ele frisou que ação teve reflexos diretos, sim, nas candidaturas, porque foi executada em várias regiões do estado. “Essa renovação é um recado que a população deu”, disse ele, referindo-se ao fato de alguns dos postulantes não voltarem à Câmara. 

Anibal Boettger, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Têxteis (Sintrafite), disse que iniciativa atingiu o objetivo, que era de auxiliar no processo de politização do trabalhador. “A iniciativa foi válida”, destacou ele.   

Ednaldo Pedro Antônio, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Material Plástico e Químico (Sintiplasqui) acredita que a ação teve pouco impacto. Porém, as entidades sindicais fizeram sua parte e, no futuro, os trabalhadores que se sentirem prejudicados pelas decisões destes políticos não poderão culpar as entidades de não os terem avisado.

 

“Temos que continuar mostrando ao trabalhador a burrada que ele fez. Talvez se ele sentir na pele vai ver o que fez”. 

O sindicalista João Decker, do Sintrafite, acredita que a eleição de um candidato que não seja da esquerda, no caso Jair Bolsonaro (PSL), pode não ser algo bom para os trabalhadores. Na visão dele, somente em um ou dois anos se saberá o que vai acontecer com o país.  

“Vejo que a situação é muito séria. Alguma mudança radical vai acontecer. Não podemos esperar nada diferente disso”, pontuou ele. 

Izaias Otaviano, presidente do Sintricomb, acredita que o trabalhador não está preocupado com a situação e o que vai acontecer com ele. Criticou o fato de as pessoas semearem ódio e dividirem o país em lados. Lamentou a mesma postura em relação a quem pertence a este ou àquele partido político. 

O coordenador do Fórum, Jean Dalmolin, lembra que o papel das entidades é de orientar seus representados sobre o que pode lhes prejudicar. Nessa linha, os sindicatos entendem que apontar os parlamentares que tomaram decisões que vão contra os trabalhadores faz parte desse papel. 

“Muitos candidatos a deputado federal foram à reeleição e não conseguiram se reeleger. Assim como os empresários estão fazendo um trabalho maciço dentro das indústrias para que seus funcionários votem nos candidatos indicados por eles, o Fórum Sindical não poderia ficar de fora e deixar de mostrar aos trabalhadores quem é contra eles”, pontua Dalmolin.